Tome um drinque.
Sábado17, Maio, 08
Ultimamente mais para purple que para brócole (o purple é o novo pink, é assim um pink que já vai passar dos trinta), vou postando aqui duas receitas de coisas que eu gosto de beber – alcóolicas, veja bem, nem só de suco de alfafa vive-se a vida brócolis-freak.
Uma é um lance que aprendi em minha passagem pela usurpada península de Yucatán – a (mi)chelada, basicamente um jeito fresco de tomar cerveja para quem gosta de coisas frescas e tem pressão baixa. Vai muito bem com comida mexicana, com frutos do mar então nem se fale.
(Obs. ulterior: o povo do interior de são paulo diz que chama de cu de burro. Pessoalmente prefiro michelada mesmo).
Faça assim, bom mesmo é com uma cerveja tipo lager, pilsener, uma cervejinha clara e boa e bem gelada dessas que a gente gosta. Arrume um copo legal, eu gosto de fazer naquelas taças de vinho grandes, que tem gente que diz que são taças de água, como se beber muito ou pouco de alguma coisa dependesse do tamanho do copo, grandissíssima hipocrisia civilizatória.
Pegue um pratinho e cubra-o de sal, uma camadinha de sal. Abra um limão em quatro. Use um dos quartos pra delicadamente umedecer a borda do copo. Delicadamente mesmo, porra, se besuntar tudo não funciona, o limão não deve escorrer pelo copo. Com a borda do copo úmida de limão, vire-o de boca pra baixo e thcutche a borda no pratinho com sal. não precisa apertar. Você vai ver que o sal gruda na borda por dentro e por fora. Deixe secar e fica aquela coisa luxo poder e sedução dos copos de margaritas. Aproveito a deixa para manifestar meu horror e repúdio a essa coisa pós-social chamada margarita mix que vendem pra misturar com tequila. É esquema caipirinha em pó. Engulhos. Margarita do bem é feita com tequila boa, licor de laranja ótimo e bem dosado e limão.
Voltando à michelada: em seu copo preparado coloque duas pedras de gelo esprema o suco de limão, um tantinho, de dois a três quartos, como apetecer. Complete com cerveja. Tem gente que põe ainda uma gotinha de molho inglês e outra de tabasco, shoyo, suco e tomate, mas prefiro encontrar esses outros gostos na comida que acompanha. Uma beleza pra rebater ressaca, sai barato e impressiona (bem ou mal) os amigos.
(Obs. ulterior ainda: o Sr. Strano informou recentemente que o drink só com cerveja, limão e sal não se chama “michelada” e sim Chelada. Michelada é nome do drink semelhante que leva outros temperos: tabasco, etc.)
A outra coisa é a sangria, frescura mais cara, agora com vinho, aprendi a tomar e a fazer com a minha mãe. Uma coisa óbvia é que você nunca deve colocar na sangria um vinho que seja ruim de beber solito. E vai brandy (destilado de vinho). Então compre um vinho bom, um brandy bom e frutas: uvas doces, pêssego, maçã, abacaxi, laranjas doces.
Numa jarra grande e bonitona, esprema um pouco do suco das laranjas, junte o vinho e as frutas picadas. Pode adoçar com açucar ou mel. Junte uma boa dose de brandy, eu diria meio copo americano para uma garrafa de vinho. Nesse ponto eu mexo com uma colher de pau e deixo a mistura na geladeira fazendo uma breve siesta. Na hora de servir encha de gelo e complete com àgua gaseificada. Ajuste a doçura da coisa. Deixe a colher de pau na jarra para mexer e pegar as frutas com estilo. Se quiser quase morrer de frescura arrume uns palitinhos desses de churrasco, corte no meio e deixe um em cada copo quando servir para que os convivas possam pescar as frutas do fundo de seus próprios copos.
Tapioca BG
Sábado17, Maio, 08

Aprendi a fazer farinha de tapioca, aprendi fazendo, no melhor estilo bicho-grilo! é simples:
pega polvilho azedo e combina uma certa quantidade dele com uma certa quantidade de água e uma pitada de sal.
a quantidade de polvilho depende de quanta tapioca você quer. saiba que, pra uma tapioca de quinze centímetros de diâmetro, nem fina nem grossa, eu usei duas colheres de sopa super cheias e uma só cheia da farinha (que corresponde à quantidade de polvilho necessária).
a quantidade de água é pequena e varia conforme o polvilho e o clima local. soube, por fonte das boas, que em manaus o polvilho já é tão úmido que nem precisa umedecer e peneirar (o próximo passo), é só inventar moda de recheio, colocar no fogo e. (modas e recheios em breve).
aí é que vem o trampo, a mão na massa. tem que pegar o quase cimento que o polvilho e a água formam e esfarelar na mão até virar umas bolinhas menores. se tiver muito “massa”, precisa de mais farinha; se tiver muito “pó”, precisa de mais água.
quando tiver numas bolinhas pequenas que já seja um trampo catar elas pra esfarinhar, é hora de peneirar. trabalho porreta. vai jeito e força, e o resultado é uma farinha homogênea e úmida, com um aspecto bem diferente do polvilho. é mais grossa e não levanta poeira.
dá pra colocar num recipiente bem fechado e guardar na geladeira enquanto mantiver a umidade. aqui em casa já são quatro cafés-da-manhã na base da tapioca.
aprendi num lugar bicho-grilo, conhecido por aqui como casa purple, com um pessoal que curte trocas verdes. é em barão geraldo.
(me ocorreu fundar um FBG – frente brócolis gay? ou fundo de brinquedos para glutões? sugestões?).